Kívia Batista Rodrigues
Minha amiga querida, guerreira até o último suspiro de sua vida, profissional incansável e orgulhosa.
Lembro-me de sua alegria estampada, o que era comum em você, no dia em que foi me mostrar o seu carrinho, comprado com seu suor. Aproveitamos pra conversar sobre Segurança do Trabalho (nosso papo preferido), CIPA, sua luta pra conscientizar engenheiros e gestores.
Em uma turma de curso técnico com mais de vinte alunos, somente nós duas seguimos essa carreira tão digna e sofrida de TST. Você, com todas as dificuldades não desistiu, correu bravamente atrás dos seus sonhos e mostrou sua garra na Cyrella, onde se orgulhava de trabalhar.
Sexta- feira, dia 21 de junho de 2013, ao tentar proteger sua família, agarrada a porta do seu lar, tentando impedir a entrada de dois monstros, foi friamente alvejada com um tiro que atravessou a madeira e também o seu peito. Seu pai ao tentar socorre-la, também teve sua vida ceifada. Pai e filha assassinados.
Todas as semanas falávamos sobre nos encontrarmos aos sábados, toda a turma, eu, você, Denise, Aline, Renato, Mário, Solano, Charlene, Hugo e quanto mais pudéssemos contactar. Esse sábado chegou de forma triste, de uma forma que nunca deveria ter chegado. Encontramo-nos, eu, Denise e Aline, mas fomos chorando olhar seu corpo inerte, já sem vida, e só conseguimos olhar, já dentro de um carro, o ataúde que abrigava a amiga querida.
Sinto agora que não adianta gritar. E fico aqui esperando a proxima notícia: quem será o próximo?
Fica a sensação de impotência apenas. E a ela soma-se um vazio dolorido.
Fica também muito medo. Não fica nada além de tristeza.
Essa página não era pra ser escrita, pelo menos não por mim, seguindo a ordem natural da vida, não hoje, não nessa década. Ela foi escrita muito cedo. A Kívia se foi aos 23 anos.
São Luís, 24 de Junho de 2013

Quanta saudade.. ;(
ResponderExcluirUma dor no peito grande, quando lembro que nunca mais vou ouvir seus risos.